Mostrando postagens com marcador experiência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador experiência. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de junho de 2011

os nomes, as coisas, a verdade, a experiência


completando meu comentário sobre a questão da xícara, onde tem a letra desta música "Nome não", ai vai o clip.

a questão da verdade, a questão da subjetividade, a questão do contexto, a questão dos deslocamentos e ressignificações, a questão das necessidades da comunicação e, ao mesmo tempo, da total impossibilidade dela, num sentido mais totalizador dos sentidos envolvidos...

chegamos nisso pela história da rã, no livro da Christine Greiner. um pensamento sobre rã não é o mesmo num lago ou num restaurante francês. a rã não é a mesma para nós em cada um desses contextos. a rã nunca é, ela está sempre sendo, a cada experiência dela. e no entanto ela tb é A rã definida no dicionário.

Isso nos traz de volta à questão da experiência que, a meu ver, traz a questão do gesto  à reboque.
Sob uma determinada perspectiva a diferença entre ação e gesto reside justamente ai. Ação como aquela palavra no infinitivo - correr, sentar, fumar, coçar, apontar, ... mas esta ação se atualiza no fazer, na experiência.  correu como um louco, sentando bem devagar e com cautela, ...  O gesto como sendo uma experiência do presente, colorida pelos afetos do momento. como o tom particular de uma ação, sua adjetivação, seus advérbios,.... 

Mas não basta ter desejo e intenção pra haver um gesto, ele tem que se manifestar, na verdade ele é a própria manifestação (voluntária ou não, consciente ou não) de uma intenção (voluntária ou não, consciente ou não) .....

domingo, 22 de maio de 2011

gesto e experiência


Sobre a distinção Hubert Godardiana entre movimento e gesto. O movimento percebido “como um fenômeno que descreve os deslocamentos estritos dos diferentes segmentos do corpo no espaço, do mesmo modo que uma máquina produz movimento. Já o gesto se inscreve na distância entre esse movimento e a tela de fundo tônico-gravitacional do sujeito, isto é, o pré-movimento em todas as suas dimensões afetivas e projetivas. Chamaremos de pré-movimento essa atitude em relação ao peso, à gravidade, que existe antes mesmo de se iniciar o movimento, pelo simples fato de estarmos de pé. A relação ao peso, à gravidade, já contem um humor, um projeto sobre o mundo. É exatamente ai que reside a expressividade do gesto humano, expressividade que a máquina não possui”. (Hubert Godard, Gesto e Percepção, pg. 13)
Partindo destas definições, a rigor não existiria movimento humano que não fosse gesto, já que o movimento é sempre atualizado/afetado pelo ”humor” do momento. Mas talvez existam movimentos e danças “que se queiram” movimento, enfatizando o caráter biomecânico do corpo, e outros que se queiram gesto, que busquem dar maior visibilidade justamente ao que move o movimento.
Quando a gente fala que ta fazendo uma coisa mecânicamente, em geral quer dizer ‘sem atualizar a presença’, sem dar atenção para a experiência do que é feito. Legal pensar isso à luz da distinção godardiana de movimento x gesto. Faz pensar que esta forma de pensar o gesto está atrelada à noção de experiência.
Ronie me mandou um texto super interessante do Jorge Larrosa Bondía – Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Neste trecho abaixo, ele cita Heidegger (1987):

[...] fazer uma experiência com algo significa que algo nos acontece, nos alcança; que se apodera de nós, que nos tomba e nos transforma. Quando falamos em “fazer” uma experiência, isso não significa precisamente que nós a façamos acontecer, “fazer” significa aqui: sofrer, padecer, tomar o que nos alcança receptivamente, aceitar, à medida que nos submetemos a algo. Fazer uma experiência quer dizer, portanto, deixar-nos abordar em nós próprios pelo que nos interpela, entrando e submetendo-nos a isso. Podemos ser assim transformados por tais experiências, de um dia para o outro ou no transcurso do tempo.